segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

X «Perdidos e Achados»


Os dias passam a correr, estamos quase no fim do verão e as pessoas começaram a ir embora. A vida deles começou e perguntam-se para onde vai, como serão os dias daqui para a frente, que sonhos lhes preenchem a alma durante a noite, que coisas gostariam de descobrir, agora que o pano de fundo já não é o mesmo. Agora que o palco vai ser outro, agora que vão chegar novos desafios, perguntas, pessoas, músicas e pormenores. Esperam pelo novo cenário, estão felizes por se terem finalmente cruzado no meio de tantas pessoas, no meio de tantos desencontros. E depois de tantas perguntas e desencantos, encontraram-se os dois nos “perdidos e achados da vida”, onde estavam os dois esquecidos à espera que alguém os reclamasse - Eu reclamei-te e tu a mim, como se nos tivéssemos perdido algures no tempo e nos quiséssemos recuperar - Esta é a verdadeira história. Quiseram recuperar-se mutuamente como se de um momento para o outro tivessem sentido que tinham perdido qualquer coisa lá atrás. E tinham. Lá estavam os dois à espera. Depois do momento recuperado, foram embora com a certeza de que existia qualquer coisa a viver ali, de que havia uma história para escrever, de que havia qualquer coisa ainda não declarada. É com este sentimento de alívio que vão vivendo os dias, sem saberem muito bem o que vem a seguir porque nisso são iguais, não sabem o que vem depois e estão bem. Os primeiros beijos não foram fáceis, tinham medo de quebrar o silêncio maravilhoso que circundava o espaço, aquela falta de palavras única e incomparável entre duas pessoas que há muito tempo queriam estar ali. Qualquer deslize podia quebrar o telhado de vidro em que estavam escondidos e por isso preferiam não falar, não perguntar e responder ao essencial, devagar e em muito poucas palavras. Quando finalmente alcançamos uma coisa pela qual esperávamos há muito tempo, ficamos com tanto medo que ela acabe ou se apague que preferimos quase ignorar que ela está a acontecer como uma tentativa de eternizar uma coisa que é única para nós. E ela acontece quase só nas nossas almas, no nosso toque, nos nossos olhos.

1 comentário:

a portuguesa disse...

pf as tuas palavras fazem-ne lembrar esta musica que ouviamos quando tinhamos a casa em Alfama...

"Quando tu apareceste
Eu estava esquecida
Nos perdidos e achados da vida
Mas sentia-me bem
Com a cabeça arrumada
Não sentia falta de nada
Avisei-te à partida
Que a haver algo entre nós
Era melhor ter cuidado
Queria viver o presente
Queria esquecer o passado
Portanto não me acuses da dor
Que dizes sentir agora
Deixa-me só no meu canto
A vida segue lá fora
Quando tu apareceste
Eu estava a saír
Dos perdidos e achados da dor
E sentia-me bem
Com o corpo a descansar
Dos altos e baixos do amor
Avisei-te á partida
Que um caso entre nós
Era sempre perigoso
O meu passado recente
Tinha sido doloroso
Portanto não me acuses da dor
Que dizes sentir agora
Deixa-me só no meu canto
A vida segue lá fora"