quarta-feira, 22 de maio de 2013

Dou voltas e voltas e penso "hoje não dá jeito" - "hoje não tenho tempo". Invento mil coisas para fazer primeiro - sempre mais importantes - penso eu. Vou a sítios, invento pormenores e distracções. Afinal não é como andar de bicicleta, "que nunca se esquece." Afinal, quando deixamos realmente de fazer uma coisa durante muito tempo, começamos sim a esquecer aos poucos. Ou quando nos esquecemos de lembrar essa coisa, ela vai decididamente ficando para trás, como se já não existisse. Falo da escrita, essa coisa que eu "não vivia sem", foi sim ficando esquecida. Era mais fácil nessa altura, as coisas pareciam sempre mais ligeiras e pouco graves. Decidi tentar mais uma vez, não vá o tempo apanhar-me na esquina e ditar-me a sentença do sofá - a idade, dizem. E vem esta frase. Pode não ter acontecido comigo directamente mas no fundo até foi. Se acontece a uma pessoa que queremos tão bem, acaba por ser connosco também. E faço esta pergunta: "Será possível perdoar quando aquilo que nos disseram não sai da nossa cabeça?" Não nos deixa dormir de noite...? Está sempre a atrapalhar-nos a mente como se já não fosse permitido pensar em mais nada? Será possível perdoar alguém assim? Temos duas hipóteses: não perdoamos e ficamos a vida toda de costas voltadas com essa pessoa, sendo que essa pessoa pode estar directamente tão ligada a nós, que pode ser um jogo irreversível e doloroso. Perdoamos e ficamos eternamente com um eco na nossa cabeça sem conseguirmos a autenticidade das coisas nunca mais. Como uma areia na roupa interior que não sai e incomoda. Mais vale assim mas perdoar? Ou a areia e não perdoar? Das duas maneiras temos o grão de areia...será que sai com o tempo? Não sei. Mas acredito nas ligações. E às vezes a autenticidade volta, através dos laços, da idade ou do sofá. Acredito que tudo o que é verdadeiro acontece. E preciso (amos) de continuar a acreditar. Ou não? Can you ever really forgive, if you can't forget?

terça-feira, 16 de março de 2010

Aquele frasco.

Quantas vezes pensei, sentada na cadeira azul ao lado da cama, nas coisas que gostava que coubessem dentro de um frasco. E porquê um frasco. Porque um dia, alguém me pediu a minha essência num frasco. Naquele momento, achei que estava a ouvir o pedido mais estranho que alguém me tinha feito e, talvez até, um pouco exagerado. Mas depois pensei «realmente devíamos poder colocar as coisas que amamos dentro de um pequeno recipiente. Pelo menos assim, poderíamos estar constantemente a sentir uma coisa que realmente não queremos perder." Assim, as coisas que realmente amamos, seriam eternamente nossas. E naqueles dias mais chuvosos em que as estivéssemos a perder de vista, uma visita ao frasco, e seriam nossas de novo. Neste vai-e-vem de pensamentos sobre a vida, as coisas e as pessoas, comecei a criar uma lista sobre o que é que eu gostava de manter para sempre dentro de um frasco...  e a lista é muito, muito, muito... pequena. 

Porque num pequeno frasco não cabe quase nada. E para valer a pena, temos de saber escolher bem aquilo que realmente nos faz acelerar o coração.

quinta-feira, 11 de março de 2010

O tempo.

Há aquelas alturas em que dizemos, vezes sem conta (no meio desse baú de tristezas e alegrias, onde procuramos respostas para as perguntas sem resposta), o tempo o dirá. O tempo decidirá. O tempo... Vem-me então à memória o tempo. Coitado, se o tempo fosse uma pessoa, já não aguentava com o peso, tal é a pressão com que tinha de decidir as coisas. Estaria de facto muito pesado pois, todos os dias, milhões de pessoas – pensam - navegam - dizem [o tempo o dirá]. Como podemos sempre achar que o tempo pode decidir tudo sozinho? É provavelmente quem decide melhor, de facto. Mas onde poderemos ir buscar a fórmula do tempo? Aprender a escolher, a decidir, a optar. Facilmente, tal como faz o tempo, sem ter de esperar por ele. Se calhar nao existe essa fórmula porque só quando o tempo passa é que as coisas acontecem, e tudo passa. Ainda bem que o tempo não é uma pessoa. Será que esta tristeza vai passar? O tempo o dirá.


quarta-feira, 10 de março de 2010

Segredos.

Um dia encontrei uma menina perdida na rua. Era tão bonita que parei para olhá-la de perto. Perguntei o seu nome e ela não me respondia. Disse só que era muito rara e que nem toda a gente conseguia vê-la. Disse-me ao ouvido –tens muita sorte de me ter encontrado mas cuidado, não me percas. Chamava-se amizade.