terça-feira, 8 de dezembro de 2009

VII «Santa-Cruz»

Santa cruz (a terra do sonho)·

Não sei que tipo de sentimento é este

Que hoje nos une e nos faz ter-te como posse.

Não sei que certeza é esta

Que é ter-te num canto escondido da pele

Que é acreditar que é nosso, cada bocadinho do teu mar

Que desde sempre cá viemos para poder regressar.

Ás vezes acho que voou por ti uma fada

Que silenciosamente te encantou.

Basta olhar-te de cima,

Encaro os segredos que ela deixou.

Um pouco de inconcreto,

Um não saber o que querer,

O ter medo de chegar.

O tempo passa por ti a correr

Tal é a alegria com que o vemos passar.

O medo de errar e a dor amenizada

Pelo corpo que se deitou sobre a areia.

Existe sempre esse minuto no relógio

Em que tudo pára. A maresia incendeia.

As histórias continuam,

O futuro chega cedo,

O passado fica gravado

Num canto qualquer da alma,

Sem dor, sem voz, sem medo.

Uma fotografia ao fim da tarde.

Em ti nada se perde, nada vai por completo

Esquece-se o resto á volta

Que noutros tempos,

Noutros sonhos,

É quase sempre, sempre incerto.

São memórias que o vento leva

Sonhos que o vento trás.

O bilhete marca “ida e volta”

Num descontrole sempre fugaz.

E a vida passa-se assim

Com idas e voltas

Com sonhos e trocas

Em noites sem fim.

Neste momento o sol põe-se

No mar que em ti contemplo

Esse teu céu cor-de-laranja

Cobre-me de calor por fora,

POR DENTRO.

As gaivotas estão a chegar á praia

E o teu sol cada vez mais se esconde

Pensamentos e descobertas

Faço-lhe perguntas inconcretas

E ele quase nunca me responde.

É mais um dia de verão

Fico mais uma vez aqui.

Cada vez mais percebo

Que não existe nenhum outro lugar assim.

3 comentários:

a portuguesa disse...

I feel the same...pf agora com mais saudade...

Girl with glasses. disse...

Este texto tem anos... mas mantém-se a essência da coisa :) E já esteve na parede do Onda Bar ehehe. Santa Cruz também tem saudades tuas...

Unknown disse...

eu tenho saudades das duas*