Santa cruz (a terra do sonho)·
Não sei que tipo de sentimento é este
Que hoje nos une e nos faz ter-te como posse.
Não sei que certeza é esta
Que é ter-te num canto escondido da pele
Que é acreditar que é nosso, cada bocadinho do teu mar
Que desde sempre cá viemos para poder regressar.
Ás vezes acho que voou por ti uma fada
Que silenciosamente te encantou.
Basta olhar-te de cima,
Encaro os segredos que ela deixou.
Um pouco de inconcreto,
Um não saber o que querer,
O ter medo de chegar.
O tempo passa por ti a correr
Tal é a alegria com que o vemos passar.
O medo de errar e a dor amenizada
Pelo corpo que se deitou sobre a areia.
Existe sempre esse minuto no relógio
Em que tudo pára. A maresia incendeia.
As histórias continuam,
O futuro chega cedo,
O passado fica gravado
Num canto qualquer da alma,
Sem dor, sem voz, sem medo.
Uma fotografia ao fim da tarde.
Em ti nada se perde, nada vai por completo
Esquece-se o resto á volta
Que noutros tempos,
Noutros sonhos,
É quase sempre, sempre incerto.
São memórias que o vento leva
Sonhos que o vento trás.
O bilhete marca “ida e volta”
Num descontrole sempre fugaz.
E a vida passa-se assim
Com idas e voltas
Com sonhos e trocas
Em noites sem fim.
Neste momento o sol põe-se
No mar que em ti contemplo
Esse teu céu cor-de-laranja
Cobre-me de calor por fora,
POR DENTRO.
As gaivotas estão a chegar á praia
E o teu sol cada vez mais se esconde
Pensamentos e descobertas
Faço-lhe perguntas inconcretas
E ele quase nunca me responde.
É mais um dia de verão
Fico mais uma vez aqui.
Cada vez mais percebo
Que não existe nenhum outro lugar assim.



3 comentários:
I feel the same...pf agora com mais saudade...
Este texto tem anos... mas mantém-se a essência da coisa :) E já esteve na parede do Onda Bar ehehe. Santa Cruz também tem saudades tuas...
eu tenho saudades das duas*
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