quarta-feira, 25 de novembro de 2009

V. «A guarda-segredos»

Havia um texto que eu gostava muito que se chamava “a guarda segredos”. Falava de uma secretária que não gostava que lhe chamassem papeleira porque ela não guardava papéis como todas as pessoas diziam. Ela guardava segredos, daqueles que só se contam uma vez na vida e a maior parte das vezes, a um papel. Estava anos e anos no mesmo lugar mas as pessoas, de geração em geração, iam escrevendo segredos únicos que pensavam que ninguém mais conhecia mas existia a guarda segredos que se pudesse escrever, escrevia livros. No entanto, mantinha-se sempre calada, à espera que mais uma pessoa lhe fosse contar um segredo.

Hoje, quando escrevo imagino que a minha secretária tem uma vida própria, que se de repente ela pudesse falar comigo me ia contar coisas que eu nunca imaginei. Acredito que quando escrevo sobre coisas tristes, que lhe apeteça fazer-me parar para me dizer que não vale a pena estar assim nem escrever sobre o assunto. Mas não pode, e aí surgem os poemas que fazem chorar.

E entre um segredo e outro, surge mais uma palavra ou uma lágrima a que a nossa secretária assiste mais uma vez, calada e quieta.

1 comentário:

a portuguesa disse...

Lembro-me de entrar no teu quarto e ver sempre o diário em cima da mesa de cabeçeira.

E de repente é como estivesse aí ...

:)