terça-feira, 17 de novembro de 2009

II. «Lista de espera»


Falavam-me sempre de sentimentos e eu pensava que sabia o que eram; a que sabiam; que cor tinham; o que queriam dizer. Atribuía-lhes uma imagem e fechava no meu cofre como se em vez de coleccionar moedas ou selos, coleccionava sentimentos. Era como se fosse uma lista. Sempre que queria ia ver o que deveria fazer caso este ou aquele sentimento chegasse. Era fácil quando eu pensava que os conhecia a todos. Era fácil quando a colecção era pequena e eu acumulava sentimentos repetidamente.

Hoje deparo-me com a adversidade de sentimentos novos todos os dias. A minha lista anda confusa, não sabe muito bem que nome atribuir, que imagem dar, troca cores e atitudes. Põe as opções no lugar errado e ás vezes bloqueia. Esses são os momentos em que fico calada e não sei que nome dar ás coisas. Os sentimentos aparecem sem eu estar à espera e fico sem saber muito bem o que fazer. Nesses momentos não tenho lista, não tenho colecção. Tenho um conjunto de interrogações na minha cabeça que não tem nome nem cheiro.

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